Poema em Prosa
Talvez eu possa exorcizar os tremores que me acometeram pela manhã repetindo que sua beleza é um totem, que ela é anterior aos sussurros dos outros. Tão bela quanto o início e a interrupção. Será necessário me despir da moldura relativista: você será bela daqui a duzentos anos, quando não existirem mais abelhas ou lírios-do-campo. Beleza antiestética que pertence a lugar nenhum, meu quinhão sorteado permitiu-me encontrá-la, perto das caixas de som vibrando a quinze decibéis. Duas crossdressers invertidas, somos belas quando nos travestimos de homem. Garotos de pontas afiadas e cheiro displicente, desejam furar um ao outro com a língua em riste.


Uau