Utopia I
A utopia voltou a ser o que ela sempre foi: um fantasma. Agora, além de assombrar os grandes industriais, ela tira também o sono de críticos esclarecidos. Como em um filme estadunidense de sessão da tarde, os jovens incomodam seus mestres aposentados, pedindo que relembrem os sonhos de outrora e voltem ao esporte para treiná-los. Os mestres se recusam: havia um mundo de possibilidades, e ele cessou de existir. Enlutando-se, os críticos (ou pós-críticos, ou o que o valha) adotam por vezes uma atitude cínica. Desprezam a justeza do sonho ele mesmo, denunciam sua ingenuidade, afirmam ter abandonado uma infância revolucionária. Nós, as crianças ingênuas, não vemos vislumbre algum do sonho se realizando. Mas não perdemos a capacidade de sonhar.

